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segunda-feira, 10 de junho de 2013

Capitães da Areia



"Clássico absoluto dos livros sobre a infância abandonada, Capitães da Areia assombrou e encantou gerações de leitores e permanece hoje tão atual quanto na época em que foi escrito. A história crua, comovente, dos meninos que moram num trapiche abandonado e vivem de pequenos furtos e golpes causou impacto desde o lançamento, em 1937, quando a polícia do Estado Novo apreendeu e queimou inúmeros exemplares do livro. Longe de manifestar piedade por suas pequenas criaturas, Jorge Amado as retrata como seres dotados de energia, inteligência e vontade, ainda que cercados pelas condições sociais hostis em que estão inseridos. Com sua prosa repleta de verve e humor, o escritor baiano nos torna íntimos de cada um desses personagens e nos contagia com sua obstinada gana de viver."

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Meninos. Crianças abandonadas, entre oito e dezesseis anos que moram num velho trapiche no cais de Salvador, a "cidade da Bahia". O que mais me comoveu nesse livro foi a vida dos meninos de rua, não só a dos Capitãs da Areia, mas a situação de todos os meninos de rua de todas as gerações, o livro abrange uma temática universal e bastante atual. Jorge Amado presenciou de perto a situação dos meninos de rua para desenvolver esse incrível livro, foi dormir em um trapiche, contribuindo para a riqueza de detalhes e veracidade presentes na história.
Além do mais, a história, muito comovente por sinal, é realística e deixa explícita uma mensagem ideológica, sobretudo no desfecho, de questão social "pobre x rico" e a profunda diferença entre essas duas classes. A luta de classes. E não é a toa que os meninos do cais de Salvador, "sem pai, sem mãe, sem mestre", são o símbolo da marginalização e exclusão social.
Essa crianças além de sofrerem sérios preconceitos pela classe dominante, inclusive a indiferença das autoridades, carecem de amor, ternura e carinho, que somente serão proporcionadas por uma família. O autor enfatiza o sentido melodramático de pureza infantil. Para encobrir essa sede por atenção, essas crianças buscam de várias maneiras, sendo através do roubo, da pederastia ou da religiosidade "fugir" da realidade selvagem.
A violência é retratada como o meio que os pequenos marginais encontram para sobreviver, e com tanta brutalidade e realidade, Jorge Amado dá a história um fundo de reflexão para que nós, classe média, possamos tomar uma posição quanto a indiferença da sociedade, opressiva, em relação àqueles que vivem à margem da violência, do desafeto e que muitas vezes não têm a oportunidade de realizar seus menores sonhos, mas simplesmente tidos como marginais.

É impossível não rir, se chocar e se emocionar ao mesmo tempo com a história dos Capitães da Areia e seu líder Pedro Bala. Um livro que me pegou de surpresa, porque eu realmente não esperava que ele tivesse tamanho impacto no meu modo de pensar e de ver as crianças de rua sobre outro ângulo. Um livro que merece ser lido por qualquer pessoa que não aceita a realidade das crianças de rua e que anseia por igualdade e uma realidade melhor.



2 comentários:

Bia Muniz disse...

Boa dica de leitura!!! Passa no meu blog pra conhecer tb, se gostar e seguir, sigo de volta!!!
www.makeolatras.blogspot.com.br
Bjsss =]

Amanda disse...

Já ouvi falar desse livro, deve ser bom c:
xoxo
Pimenta Rosa

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