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terça-feira, 14 de maio de 2013

Coisas caóticas que bagunçam o coração e levam pessoas


O ritmo caótico das ruas espremia-se pela fresta da janela e invadia a sala. Invadia meu coração. Você se fora. Batera a porta. Sem indícios de volta, de uma segunda opinião. Nossos copos jaziam no canto, contendo nossos gostos. Meu amor pairava no ar, sangrando profusamente. Nosso amor era como os copos no canto, vazios. O adeus era iminente e inevitável, quando se está vazio, quando não há motivos, não há razão. Quando apenas uma pilha do controle da TV funciona. Quando só um coração bate. Quando nenhum coração bate. Quando só há restos, embalagens, secas. Não se deve cutucar a ferida, espremer o tubo vazio da pasta de dente, insistir no impossível.
O ar entrava pela janela e balançava meus cabelos, limpando a frustração, carregando a decepção e trazendo o consolo. Será que o vento estava balançando as vestes dele? Estava limpando tuas frustrações? Será que o caos estava invadindo-lhe o pensamento? Será que ele estava limpando o jardim, plantando novas flores para atrair novas borboletas? Estava ele jogando fora os pedaços velhos de pizza, com os copos que continham nossos gostos, nossa saliva, que antes formavam beijos doces e sedentos? Estavam sedentos de que? De amor ou de espaço? De companhia ou de solidão?

1 comentários:

camila fukuoka disse...

Que texto lindo!!! Cada palavra, cada frase, tudo tão profundo que parece que a personagem do texto sou eu! Parabéns!

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